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A EstÁ Cia., de São Paulo, sob direção de Eduardo de Santhiago, surge da necessidade de pesquisa de novas linguagens e estéticas cênicas para o cenário teatral do país. Uma companhia dinâmica, que não seja algo, mas que esteja algo.
Fugindo de classificações prévias e definições herméticas, potencialmente limitadoras, a cia. busca a criação de espetáculos que façam o melhor uso de quaisquer formas de expressão artísticas, justificando este uso pela simples necessidade de se atingir uma verdade e um frescor expressivos em cena.
Nunca desprezando as escolas, pensamentos e estéticas artísticas que escreveram a história do teatro mundial, mas utilizando este conhecimento de forma transformadora, contemporânea e pessoal, a EstÁ Cia. encara o fazer artístico de maneira humanizada, entendendo o artista como um ser humano disponível e pleno de urgências de expressar-se, de doar-se, de transformar suas bagagens em arte criativa.
A EstÁ Cia. é desdobramento da antiga Cia. Couvert S/A de Teatro Musical (2003-2007), também coordenada por Eduardo de Santhiago, pela qual passaram mais de 19 integrantes ao longo dos quatro anos de atividade. Na Couvert S/A, o teatro musical sempre foi encarado com originalidade, sendo, per se, uma modalidade teatral que une diversas modalidades artísticas. Todavia, a classificação do estilo no nome da cia. passou a ser fator restritivo para a criação de novas linguagens, fato determinante para a decisão de renovação e transformação do trabalho.
Assim surge a EstÁ Cia., que estréia em 2007 com o espetáculo Désir, que realizou temporadas de sucesso até 2010, passando por cidades como São Paulo (2008/2009), Campinas (2007, 2009), Curitiba e Limeira (2010).
Como integrantes, a EstÁ busca o intercâmbio com artistas e dirigentes de diferentes áreas de acordo com as demandas dos espetáculos propostos, mantendo, porém, a reunião de profissionais que compartilhem conosco dos mesmos anseios e crenças sobre o fazer artístico.
Pesquisa
Núcleo de pesquisas focado nos processos criativos de artistas cênicos em geral (atores, cantores, bailarinos, diretores, coreógrafos, músicos, cenógrafos, etc.), tendo surgido a partir da proposta do projeto de pós-graduação em Artes Cênicas denominado A Individuação e a Arte do Ator.
A pesquisa propõe uma análise teórico-prática das diversas metodologias documentadas de formação e preparação de artistas (Stanislawsky, Adler, Meisner, Peter Brook, Erik Morris, E. Barba, Renato Ferracini, Grotowsky, Meyerhold, Laban, dentre outros), baseada em intersecções e correlações com conhecimentos de diversas correntes da psicologia, da psiquiatria e das neurociências, tendo como principal guia teórico o conceito junguiano de Individuação.
Desta forma, o projeto visa a humanização e desmistificação desses “métodos” preparatórios, encarando cada artista como uma personalidade única, dotada de habilidades e dificuldades particulares, que chega ao seu processo de treinamento repleto de bagagens e urgências expressivas, sendo potencialmente capaz de, através de um eficaz processo de auto-conhecimento e de percepção de suas reais motivações, encontrar, com total singularidade, sua própria maneira de pensar, criar e executar sua arte.
Assim, o artista em plenitude vê-se livre de formatações, modismos, pré-conceitos e estéticas alheias, que não devem ser menosprezados, porém encarados a partir dos pontos de vista do momento histórico e social em que foram formulados e das particularidades pessoais de seus formuladores.
O primeiro módulo de atividades aconteceu de março a junho de 2009.
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